MORTE NO FESTIVAL DA GLOBO

Márcia Barnabé, Paulista de 34 anos,vinha batalhando há 10 por esta chance. Faleceu no dia 15 de Maio, sem saber que sua música "Na Veia" seria uma das 48 selecionadas.

Compositora
classificada perde
 a vida em acidente de moto! 

          No domingo retrasado o programa do Fantástico divulgou a relação das 48 músicas selecionada para o Festival dos festivais. Sem dúvida alguma, todos os escolhidos devem ter feito uma tremenda comemoração com a conquista. Menos uma: Márcia Barnabé, compositora de “Na Veia”, umas das mais bem cotadas canções da disputa. Por uma triste ironia do destino, depois de 10 anos batalhando pela carreira, Márcia morreu pouco antes do anúncio das músicas selecionadas, quando a promessa de sucesso começava a lhe sorrir.

          A cantora e compositora, natural da cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, faria 35 anos em outubro próximo. Mas a fatalidade chegou antes do sucesso e do aniversário. No dia 12 de maio último, Márcia dirigia sua motocicleta pela avenida principal da cidade natal, quando perdeu o controle do veículo. Seu corpo foi jogado há vários metros e o laudo médico veio logo depois: fratura de crânio. Márcia ainda sobreviveu 3 dias. Na madrugada do dia 15 acabava a vida de uma artista promissora.
– A Márcia sempre foi uma    menina com  uma grande
      

coragem para vencer – relembra D. Cezira Bianchini, mãe da cantora, com uma voz embargada pela emoção. Há 10 anos ela vinha lutando para gravar um disco. Logo agora quando se conseguiu classificar para o festival... Deus não avisa mesmo a hora para levar seus filhos.

           A paixão de Márcia Barnabé pela música começou muito cedo. Ainda garotinha, ela ouvia as histórias da mãe, também cantora, escolhida em 1943, “A Mais Bela Voz do Estado De São Paulo”, num concurso da rádio tupi. Depois surgiu o violão. Márcia ficava horas tocando “principalmente o repertório romântico”, recorda sua mãe. Mais tarde  vieram os estudos  musicais no CLAM (o Clube dos Amigos da Música, do Zimbo Trio, em São Paulo), e as aulas de violão que a própria Márcia daria.          -           Nos últimos anos, ela tocava também bateria, piano e guitarra. E vinha dirigindo seu trabalho para o rock – conta sua mãe. Márcia Barnabé, havia, inclusive,  formado um grupo de rock, o Pavio Curto, com o qual pensava em se apresentar no Festival dos Festivais, caso a sua música fosse escolhida. – Minha  filha fez  mais  de     200 Músicas,



Márcia tinha muita garra e esperança de vencer.
Deixou mais de 200 composições
.


quase todas lindas – diz ainda D. Cezira. – Deixou um trabalho inédito, digno dos maiores intérpretes do país. Márcia tinha uma predileção quanto a maneira de cantar: acreditava que a cantora Marina seria a intérprete ideal para suas canções. Todos os planos, porém, ficaram parados no ar. E é triste constatar que “Na Veia”, a composição selecionada de Márcia, anunciava, profeticamente, uma mudança substancial:  “...Perdida sem grana... pintou um anjo, desses que vem do céu... tocou a trombeta... e me deu uns toques... e tudo mudou...”
 

Junho 1987 -  Revista Contigo - Reportagem: Luiz Caio (Cortesia Kena)