Iniciei meus estudos de música em 1980 na “Academia de Música Alvorada” de São Carlos, SP. Meus primeiros   professores David e Rosa de Cicco Saidel ensinaram-me ler partituras e  tocar as primeiras músicas com acordes básicos no violão.
    
Depois vieram aulas particulares com a professora. Yara Ivete Caligiuri, através de um método interessante de tablaturas, solo e cifra. O resultado foi tão satisfatório que empolgado, repetia as aulas para meus amigos. Comecei comprar discos e colecionar revistas de música com cifra para violão e guitarra. Assistia música ao vivo no circuito da cidade e ouvia as FMs que tocavam o rock nacional. Daí vieram os primeiros shows assistidos em casas noturnas onde tocavam MPB e pop-rock. Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha, Capital Inicial e Legião Urbana lançavam seus primeiros discos.  Rita Lee e os mutantes tornaram-se referência... recordo ‘Ando meio desligado’ e ‘Ovelha Negra’ como minhas canções favoritas. 
   “AS DISSONÂNCIAS E A GUITARRA”
   Um vizinho guitarrista conhecido como Murta tocava no circuito das melhores casas noturnas. Fui aprender algumas músicas dessa época. Assistindo suas apresentações conheci outras personalidades de S. Carlos e região. O violonista Bertinho ajudou-me a cifrar músicas mais complexas de Chico Buarque, Tom Jobim, João Bosco, Ivan Lins, Milton Nascimento, Djavan, Elis Regina, Belchior, Fagner, Vinícius de Moraes entre outros. Comprava disco, emprestava e gravava a ponto de chegar em casa dos amigos, mal falar um ‘Oi’ e já ir conhecer seus LPs.  Os músicos participavam de festivais e o circuito universitário de música era muito forte. Conheci nesse período Túlio e Bila, Pardal, Edson, Carlinhos, Ribamar e Beto.  A saudosa compositora e cantora Márcia Barnabé me conquistou como fã, motivo de hoje em dia ser uma das grandes homenageadas em meu CD. Dos grupos lembro o ‘Pó de Anjo”, ‘Bagagem’ e o ‘Trio Jornal do Brasil’
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Na estrada pra valer - MI-JÃO
1984, João Luiz, um amigo e vizinho que tocava atabaque, pandeiro e gostava de cantar, mostrou-se interessado em minha musicalidade. 

      Amigos naquela época veio me acompanhar. Começou minha jornada musical e ficamos conhecidos pela dupla MI-JÃO. Ganhamos prestígio e cada vez mais aumentava nosso público! Atabaque, violão, aparelhagem improvisada e microfones, começamos a aparecer em barzinhos junto de amigos. Fazíamos animação em bares de S. Carlos como o Rio Sucos, Bar da Lena e da Rô, Baiúca, Café do Centro e o restaurante Bambú. Tocávamos sambas de Ataulfo Alves, Adoniram Barbosa, Martinho da Vila, e nos esforçávamos nas melodias refinadas de João Gilberto, entre outros nomes famosos que ainda não constavam em nosso repertório.
    
     Em 1985, o Hobby Sport Club da cidade de Itirapina, SP, nos convidou para fazermos animação nas tardes de domingo. Aceitamos e foram dois anos de trabalho.  Lá, conhecemos o proprietário de uma casa noturna de S. Carlos, a lanchonete Bom Petisco, que convidou-nos para tocar aos finais de semana. Foi nossa primeira proposta remunerada. Fui estudar cavaquinho, pois o público deste bar apreciava samba e partido alto. Em 1988, na intenção de ampliar nossos horizontes começamos a tocar em outras casas noturnas como o Beer House e Lua Cheia.


        O POLLENTA’S RESTAURANTE.

    
Um lugar requintado com um público musicalmente exigente que me estimulou aprender mais letras. Nesse mesmo período  fomos convidados para a inaugurar  uma casa noturna que marcaria época em S. Carlos : o Hora Extra.

     O grupo “Caco de Alma”

     As primeiras apresentações no Hora Extra foram feitas pela dupla MI-JÃO que, nesse período, cantava Beto Guedes, Lô Borges, Belchior, Caetano Veloso, Simon & Garfunkel e Chico Buarque, entre outros.
    Em 1989, Simone Rempel que sempre participou do grupo com ‘canjas’, veio cantar definitivamente conosco; formamos o grupo “OS NOMADES”. Faltava recursos e começamos comprar instrumentos e aparelhagens melhores. Acrescentamos teclado, saxofone e bateria. Mais tarde Paulinho Possar  completou a formação do CACO DE ALMA tocando guitarra.

 

     Investimos muito no visual, nas vozes e no repertório, ganhando, assim,espaço em jornais e televisão.
     Eu tocava violão, cantava a maioria do repertório, fazia os arranjos e a dirigia. Simone cantava algumas músicas e improvisava nos instrumentos de percussão.  João tocava atabaque além de ajudar nos vocais e Jorge fazia  os teclados. Paulinho mais tarde veio fazer solos de guitarra. Tocávamos vários estilos de música brasileira e algumas canções internacionais como ’Volver a los 17’, ‘Mercedez Benz’, ‘Please Please me’, ‘Please Mr. Postman’ que se tornaram indispensáveis em nossas apresentações. Em nosso repertório havia pérolas dos grupos Boca Livre, MPB 4, Placa Luminosa, Joelho de Porco, Sá e Guarabyra, Casa das Máquinas, Azymuth etc.  Isso aumentou nossa fama na cidade e a agenda de shows cresceu. Tocamos no Hotel Estância Suiça, na Cervejaria Empório, Apple Choperia, no Café com Letras, e em ocasiões especiais, no Armazém Bar.

   A Cervejaria Empório promoveu festas com temas interessantes. Criamos os repertórios: Os Anos Rebeldes, Os Anos 60, Noites do Cabaret, do Samba, Discoteque e do Oscar.

     Nesse período o diretor e produtor Henrique Mariano Andrielli, do SESC de São Carlos, sabendo da versatilidade do nosso grupo, convidou-nos para participar do Projeto Som a Pino e desenvolver os seguites temas: “Da Tropicália aos dias de hoje” e “A Música Brega”. O grupo terminou em 1992.

                   O ARMAZÉM BAR
    Embora trabalhasse com vários músicos, nesse bar a preferência era pelo meu trabalho individual acompanhado por um ritmista. Essa fase foi importante, pois conheci nesse espaço músicos como João Ricardo (Secos & Molhados), Maria Alcina, Rosa Maria, Spack, Luiz Bueno (Duofel), Mirian Batucada, Roberto Bach, Dedé Cruz, Carlinhos Machado, Filló, Bia Mestriner, entre outros. Trabalhei durante sete anos nessa casa noturna que ainda existe, mas em outro endereço.poca, conheci músicos de baile que se apresentavam para um público maior.