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       INICIEI os meus estudos de música nos anos 80 na “Academia de Música Alvorada” de São Carlos, SP. Meus primeiros   professores David e Rosa de Cicco Saidel ensinaram-me ler partituras e  tocar as primeiras músicas com acordes básicos no violão. Em 1979, tive aulas particulares com a professora. Yara Ivete Caligiuri, através de um  método interessante de tablaturas, solo e cifragem. O resultado foi tão satisfatório que comecei a dar aulas. Comprei muitos discos de vinil e ainda coleciono revistas de música com cifra para violão e guitarra. Assistia música ao vivo no circuito da cidade e ouvia as FMs que tocavam o rock nacional. Em casas noturnas tocavam MPB e rock-pop. Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha, Capital Inicial e Legião Urbana lançavam seus primeiros discos. Rita Lee tornou-se minha inspiração e referência... recordo ‘Mania de Você’ e ‘Ovelha Negra’ como canções favoritas dessa época. Raul Seixas chamou muito minha atenção pela sua popularidade e performance de palco.

       AS DISSONÂNCIAS E A GUITARRA: Um vizinho guitarrista conhecido como Murta tocava no circuito das melhores casas noturnas. Fui estudar com ele músicas rock-pop. Assisti suas apresentações e simultaneamente conheci muitas grandes personalidades de S. Carlos, como o violonista Bertinho que me ajudou a cifrar músicas mais complexas de Chico Buarque, Tom Jobim, João Bosco, Ivan Lins, Milton Nascimento, Djavan, Elis Regina, Belchior, Fagner, Vinícius de Moraes entre outros. Comprava disco, emprestava e gravava a ponto de chegar nas casas dos amigos, mal falar um ‘Oi’ e já ir conhecer suas coleções. Os músicos participavam de festivais e o circuito universitário de música era muito forte. Conheci nesse período Túlio e Bila, Pardal, Edson, Carlinhos, Ribamar e Beto.  A saudosa compositora e cantora Márcia Barnabé me conquistou como fã, motivo de hoje em dia ser uma das grandes homenageadas em meu CD. Dos grupos e bandas lembro o "Pó de Anjo”, "Bagagem" "ORTN" e "Suburbana".  

        NA ESTRADA PRA VALER,MI-JÃO: Nos meados de 80, João Luiz, um amigo e vizinho que tocava atabaque, pandeiro e gostava de cantar, mostrou-se interessado em minha musicalidade.  Como amigos naquela época ouvíamos muitos discos. Ele é um excelente ritmista, e mais tarde veio a me acompanhar.  Começou minha jornada musical e ficamos conhecidos pela dupla MI-JÃO. Ganhamos prestígio e cada vez mais aumentou o nosso público. Atabaque, violão, aparelhagem improvisada e microfones, começamos a aparecer em churrasquinhos e com vários amigos fomos juntos em bares como o Rio Sucos, Bar da Lena e da Rô, Café do Centro, o Varandas, o Baiúca, e o restaurante Bambú. Nesse período começamos nos apresentar no BOM PETISCO com uma moçada super animada que tocava sambas de alto nível de Ataulfo Alves, Adoniran Barbosa, Martinho da Vila, e nos esforçamos nas  melodias refinadas  de João Gilberto, entre outros nomes famosos que ainda não constavam do nosso repertório. Em 1985, o Hobby Sport Club da cidade de Itirapina, SP, nos convidou para fazer animação nas tardes de domingo. Aceitamos e foram 2 anos de trabalho.  Lá, conhecemos o proprietário de uma casa noturna de S. Carlos, a lanchonete Bom Petisco, que nos convidou para trabalharmos todos os finais de semana. Foi nossa primeira proposta remunerada. Fui estudar cavaquinho pois o público adorava samba. Conheci outros músicos que se juntavam a nós esporadicamente e fazíamos uma ‘roda de samba e partido alto’. Em 1988, na intenção de ampliarmos nossos horizontes começamos a tocar em outras casas noturnas como o Beer House,  Lua Cheia, Chez Nuit e na Estância Suiça, todos na mesma cidade. O  Pollenta’s restaurante: Um lugar requintado com um público musicalmente exigente que me obrigou  engordar as minhas pastas com letras e mais letras. Nesse mesmo período  fomos convidados para a inaugurar  uma casa noturna que marcaria uma nova época para nós em S. Carlos : o HORA EXTRA.

        O “CACO DE ALMA”: As primeiras apresentações no Hora Extra foram feitas pela dupla MI-JÃO que, nesse período, cantava Beto Guedes, Lô Borges, Belchior, Caetano Veloso, Simon & Garfunkel e Chico Buarque, entre outros. Em meados de 1989, Simone Rempel  que sempre participou do grupo com ‘canjas’, veio cantar definitivamente conosco; formamos o grupo “OS NOMADES”. Faltavam recursos e começamos comprar instrumentos e aparelhagens melhores. Acrescentamos teclado, saxofone e bateria. Mais tarde Paulinho Possar  completou a formação do CACO DE ALMA tocando guitarra. Investimos muito no visual, nas vozes e no repertório, ganhando, assim,espaço em jornais e televisão. Eu tocava violão, cantava a maioria do repertório, fazia os arranjos e a dirigia. Simone cantava algumas músicas e improvisava nos instrumentos de percussão.  João, cantava e tocava atabaque além de ajudar nos vocais.  Paulinho fazia solos de guitarra. Tocamos vários estilos de música brasileira e algumas canções internacionais como ’Volver a los 17’, ‘Mercedez Benz’, ‘Please Please me’, ‘Please Mr. Postman’ que se tornaram indispensáveis em nossas apresentações. Em nosso repertório havia pérolas dos grupos Boca Livre, MPB 4, Placa Luminosa, Joelho de Porco, Sá e Guarabyra, Casa das Máquinas, Azymuth etc.  Isso aumentou nossa fama na cidade e a agenda de shows cresceu. No Hotel Estância Suiça, na Cervejaria Empório, Apple Choperia, no Café com Letras, e em ocasiões especiais, no Armazém Bar tocamos muito tempo. A CERVEJARIA EMPÓRIO promoveu festas com temas interessantes. Nós criamos os repertórios dos temas: Os Anos Rebeldes, Os Anos 60, Noites do Cabaret, do Samba, Discoteque e do Oscar. Nesse período o diretor e produtor Henrique Mariano Andrielli do SESC de São Carlos, sabendo da versatilidade do nosso grupo, convidou-nos para participar do Projeto Som a Pino e desenvolver os seguites temas: “Da Tropicália aos dias de hoje” e “A Música Brega”. O grupo terminou em 1992.
O ARMAZÉM BAR: Embora eu trabalhasse com vários músicos nesse bar a preferência era pelo meu trabalho individual acompanhado por um ritmista. Essa fase foi importante, pois conheci nesse espaço músicos como João Ricardo (Secos & Molhados), Maria Alcina, Rosa Maria, Spack, Luiz Bueno (Duofel), Mirian Batucada, Roberto Bach, Dedé Cruz, Carlinhos Machado, Filó, entre outros. Trabalhei durante sete anos nessa casa que encerrou suas atividades no final de 1997 e reabriu recentemente em outro endereço na mesma cidade (S. Carlos, SP). Nesta época comecei a ter contato com músicos de baile e saber mais sobre suas atividades com público de maior dimensão.

        CASAS NOTURNAS E O CIRCUITO DA NOITE: São Carlos é uma cidade universitária que acolhe milhares de estudantes todo ano. Nos anos 80, essa massa universitária freqüentava os bares e festas onde  se tocava músicas de  Gilberto Gil, Rita Lee, Caetano Veloso, Mutantes, entre outros internacionais. Normalmente isso ocorria nas sedes dos Diretórios Acadêmicos (UMESC, DCE e CAASO), que traouxe convidados especiais como Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque, Elba Ramalho etc. Foi nesse período que conheci Paulo Pizzignacco (Carioca), guitarrista e produtor do meu CD. Eu ficava atento aos repertórios das bandas, pois conhecia bem pouco da nossa MPB. Era comum aparecerem músicas interessantes compostas pelos próprios universitários. Hoje, em particular, resgato esse material.  Os bares mais freqüentados nessa época eram o Orchidia, o Plaza Choperia, o Rudy’s Bar, a Choperia 100%, o Extra Bar, o Baiúca, o Varandas, o Roda Vinho e o Café Concórdia, que tinham música ao vivo. Haviam diferentes estilos de músicos na cidade. No Extra Bar, em 1988, houve um dos primeiros trabalhos remunerados em grupo. Substituí o cantor da casa, Fernando Rossi. Interpretei velhas canções  boêmias e alguns sucessos da época. Foi uma noite muito séria. A sensação que eu tive como músico e principiante era a de que o público, acostumado aos consagrados músicos da casa, observavam atentamente o meu trabalho e me enviavam muitos pedidos, como se estivessem me testando. Sem cerimônia, encarei! Descartei a possibilidade da derrota e falei algo assim: “Eu improviso no violão! E quanto à letra, por favor, escrevam para eu aprender a cantar para vocês!”

        MÚSICOS E BANDAS: Com a dissolução do grupo Caco de Alma, em 1993, tive que me reorganizar e encontrar  novos músicos. Foi  o ano das Cachaçarias em S. Carlos e região. Grandes bandas tocavam rock e ritmos dançantes. Continuei trabalhando voz e violão para o Armazém e Empório acompanhado por músicos “free lancer”.                 Precisava de uma nova equipe. Sergio Yazbek, ex-guitarrista da Banda Suburbana e atual Cidade Negra me convidou para uns ensaios em sua casa. Rapidamente formamos uma banda e não mais um grupo: a ‘Ferro na Boneca’ com ritmos dançantes. O repertório básico era: Novos Baianos, Jorge BenJor, Lulú Santos, os atuais Cidade Negra e Skank. Foi super interessante pois ao mesmo tempo em que trabalhávamos nessas cachaçarias, fomos convidados a apresentar esse mesmo trabalho em bares da região que normalmente só trabalhavam com um som acústico. Com isso, abrimos espaço não só para o nosso grupo, mas também para outras bandas mostrarem os seus trabalhos em bares onde até então só se viam “um cantinho e um violão”. Conheci muitos outros músicos nesse período. Assim, acrescentei ao repertório os novos Lenine e Susano, Chico Science, Zeca Baleiro, Chico Cesar, Fernanda Abreu, e alguns “flashback” dos grupos The Police, U2, Talking Heads, The Clash, Ramones, The Doors e algumas canções da “onda Disco”. Foi uma fase inovadora, porém nunca deixei de lado o “cantinho e o violão”.

        UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL:
No verão de 1997, resolvi fazer uma pesquisa de mercado de trabalho para os músicos brasileiros no exterior. Para isso, visitei alguns países da Europa na intenção de adquirir as informações que precisava. Em princípio, fui ver como eram os trabalhos de música de rua a convite do produtor Ademir Coraza. Depois fui visitar algumas casas brasileiras que apresentavam música ao vivo. Em Imola, na Itália, conheci um outro produtor, Ju de Andrade, que me incentivou a fazer um CD no Brasil. Falou-me das possibilidades de atingir o mercado europeu. Convidou-me para assisti-lo no “Busker’s Festival”, na cidade de Ferrara. Passei um dia todo participando com músicos e artistas do mundo inteiro.  Em Hamburgo, na Alemanha, conclui que o meu trabalho como intérprete no exterior ficaria  restrito a bares brasileiros ou às ruas das cidades durante o pequeno período de verão. Por isso, me convenci que fazer o CD no Brasil seria o melhor caminho.


        HOJE EM DIA:
As coisas foram acontecendo simultaneamente em minha carreira. Fui um fiel comprador de discos nos anos 80, inclusive de discos raros, com a intenção de conhecer a discografia dos intérpretes e compositores da nossa MPB. Esse material, mais shows e revistas de música estão catalogados em um banco de dados que somam aproximadamente 20.000 títulos utilizados nas pesquisas de repertórios e estudo. Desse modo, a coleção ficou organizada e passou a ser fonte de estudo dos diferentes gêneros musicais. As fabulosas letras de Chico Buarque, as melodias e ritmos de Luiz Melodia, Itamar Assumpção, Jards Macalé, Tom Zé, Caetano Veloso somados à irreverência e o bom humor dos Mutantes inspiraram algumas de minhas composições. englobam temas atuais, como a Internet, o “Zen Surfismo”, o sincretismo religioso e recebem forte influência de ritmos nordestinos como o maracatú.  Em 1999, Edú Santana dos “Trovadores Urbanos”, famoso grupo de seresta de SP, convidou-me para um teste no qual fui aprovado. Por motivo de viagem não foi possível me juntar à equipe. Em 2001 a convite da Rede Globo de SP, apresentei-me num “Happy hour”  da sede oferecido aos funcionários. Em 2002, a convite de Ronaldo Batista, guitarrista de S. Carlos, iniciei ensaios e testes de repertório e captação em estúdio de um Cd acústico. O trabalho tomou novo rumo e decidi escrever um projeto através da lei Rouanet. Sendo meu primeiro trabalho gravado em CD, dirigido pelo produtor musical Paulo Pizzignacco (Carioca) de SP, será  dedicado aos músicos e compositores dos anos 80 que tocavam na noite em S. Carlos.  Os que tiveram maior influência no início da minha carreira musical e estarão presentes no Cd são Márcia Barnabé, Preá Rentes, Sóstenes, Pardal entre outros. O projeto se chamará “Café do centro”, bar onde toda essa “moçada”, a maioria do meio universitário, reunia-se após as “Sessões Malditas” de cinema de São Carlos, SP.  

        A BANDA TRYBO: estreou em 1996 em S. Carlos em parceria com a Banda SIGLA. Tocávamos muito em Alfenas (MG), Campinas, SP, entre outras cidades. A formação atual segue com Mih, e seus convidados. Normalmente Simone ou Alessandra, também cantam.   Jucka na guitarra, é o parceiro fixo. Carlão, Maurão e Sandro fazem a bateria e Zar ou Ronaldo no contrabaixo. Tocamos rock, pop, mpb, e algumas baladas dos anos 70 a 90 além daqueles  sucessos nessa praia que rolam nas FMs. Desde 2001 a banda participa matérias para as TVs locais, (EPTV, Nova, entre outras, divulgando o trabalho que realiza nos bares e afins que promovem eventos artísticos. Marcamos presença em 2002 e 2003 nas cidades de Batatais, Altinópolis e Brodóski, Piracicaba, Rio Claro, Araraquara, São Pedro e Águas de S. Pedro.
        Em 2004 incorporamo-nos a projetos do SESC agenciados pela Asteca Produção pelas cidades de Araraquara, Bertioga, Rio Preto e São Carlos. 
        De 2005 até hoje o trabalho é formatar projetos de Mecenato, compor arranjos, escolher músicos e captar recursos, em parceria com o Fundo Municipal de Cultura da Prefeitura de  S. Carlos,  e o Instituto Cultural Janela Aberta.